Subitamente o céu foi invadido, por enormes massas cinzentas. Seriam cérebros alados? Não o aparentaram ser. Acompanhando o céu formações esféricas de um aglomerado líquido sigaram-no em direcção ao solo. Como um meteorito, uma poeira espacial, a solução aquosa atingiu tudo o que de mais terreno existe. Uma ténue força atingiu a esfera, parecendo ténue graças aos castelos e muralhas que lhe barravam o caminho. A onda penetrou a solução aquosa como uma lança afiada, sendo estilhaçada no seu interior e expelindo todo o seu saque, numa tentaiva de o salvar, contudo o saque dissipou-se. A porta do castelo ficou escancarada, mas após toda a batalha todo o castelo ruiu.
Finalmente uma ténue gota atingiu o meu corpo terreno, vi a abóbada enorme e perfeita do arco-íris, pensava em algo, meras gotas de chuva e uma ténue luz que espreitava por detrás da enorme muralha eram simples, mas fizeram duas esferas ligadas a uma alma parar e serem tocadas por tão simples mas bela obra da natureza. Pensei, repensei, observei, senti e a obra desvaneceu-se. Contudo o meu ser interior registou-a.
Voltei à rotina debaixo de pesadas massas aquosas, sentindo que algo ficou para trás.
quinta-feira, 23 de julho de 2009
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Guardião Desconhecido - Parte V
Da portal lateral saiu um homem de cabelos brancos, puxados para trás, vestido formalmente. Aproximou-se lentamente dos nossos amigos. A sua proximidade fazia aumentar a dor de cabeça de Ricastin, fazia-o ter flashes repentinos na cabeça de passagens dos seus sonhos, como se fosse uma passagem extremamente rápida de slides, de uma forma alucinante, que o fazia transpirar e ofegar.
- Bem-vindos ao meu humilde bar! - Disse o homem com uma voz quase glacial - Estava à vossa espera...bem pelo menos de dois de vocês.
Ricastin encontrava-se perto da perda de sentidos.
- Como assim estava à nossa espera? - Perguntou Ben admirado - Não avisámos ninguém que vínhamos, nem marcámos nenhuma mesa aqui!
- Fomos nós que te fizemos vir... Ou lembraste de quem te indicou o bar? - respondeu o homem.
Ben calou-se e baixou a cabeça. Realmente não tinha memória de quem lhe indicara o bar. Entretanto Ricastin encontrava-se num estado quase a sucumbir às alucinações.
- Pois é meu amigo foste um isco fácil de persuadir, ou melhor manipular. - Disse o homem sarcasticamente - Já agora não me apresentei. O meu nome é Cols Skernh, aí o vosso amigo que parece estar com dor de cabeça deve-se lembrar de mim! - sorriu o homem maliciosamente. - Nunca te pensei tão em baixo de forma! Afinal não és o Seu "Soldado"? Se é isto o melhor que eles têm, não será difícil a nossa missão. Talvez ganhe um grande avanço hoje e removamos a maior pedra do caminho de vez!
- Houve lá ó palhaço! - disse Ben, um bocado exaltado - Não achas que a brincadeira já passou os limites?
- Respeito meu jovem, sou bastante mais velho que tu! E o teu amigo não te contou que tem uma missão perigosa em mãos? Ao te meteres no meio só estás a assinar a tua sentença de morte. - Após proferir estas palavras, sem ninguém lhe tocar sequer, Ben foi projectado com uma força brutal contra a parede, ficando inconsciente. O primo de Ricastin e o outro amigo correram a socorre-lo, mesmo tendo ficado apavorados com o sucedido. Já Ricastin, tal o estado de alucinação em que se encontrava, nem capacidade teve para reagir ao sucedido.
- Vejo que só a minha presença te perturba, Soldado, serás mais facil de eliminar do que eu imaginava. - Dito isto o homem agarrou Ricastin pela cabeça e uma enorme força parecia que sugava a alma a Ricastin.
Subitamente sentiu-se um tremor de terra intenso. Três vultos apareceram. Estando entre eles o Professor de Português, ou pelo menos o seu corpo, pois algo poderoso se encontrava dentro dele, parecia chefiar ou outros dois homens, isto claro se eram realmente homens.
- Levem os rapazes! Eu trato dos restantes. - Disse o professor.
- Saulo! Há quanto tempo não nos encontrávamos! - disse o homem do bar sorrindo maleficamente.
- Esperemos que seja a última. - disse o que quer que fosse que se encontrava no corpo do professor.
Já os dois homens que acompanhavam o professor se encontravam longe com os rapazes quando um enorme clarão de luz de abateu sobre o horizonte...
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Guardião Desconhecido - Parte IV
Há mais de uma semana que não tinha nenhum dos seus sonhos estranhos, e pela primeira vez sentia uma inquetação por não os ter, ao invés do que acontecia anteriormente. Sentia-se como que perdido... Se pelo menos tivesse algo que o ilucidasse. Estava-se a dar lindamente com Le Jo, mas continuava sem perceber de onde vinha aquela sensação de que já a conhecia antes e a estranha e súbita perda de memória do professor de Português continuava a intrigá-lo. Definitivamente precisava de espairecer e ver se tirava todas estas questões da cabeça nem que fosse apenas por breves momentos. Decidiu ligar a Ben para combinar uma saída nesse fim-de-semana. Decidiram ir a um novo bar que iria abrir esse fim-de-semana, graças a uns contactos de Ben. Ricastin achou estranho não ter ouvido falar sequer de um bar para abrir nas redondezas, mas como queria era sair, não questiou nada e ficou combinada a saída.
Entretanto lembrou-se de ir procurar à Internet sobre a lenda que o professor lhe contara, mas por estranho que parecesse não encontrou nada sobre a lenda em específico, o que o intrigou ainda mais. Teria o professor inventado aquela estória toda só para os entreter?
Chegou o fim-de-semana e Ben, Ricastin e mais dois amigos lá foram ao dito bar que iria abrir nessa noite.
Foram os 4 a pé pois pelas informações de Ben o bar era relativamente perto. Contudo passado cerca de vinte minutos a andar Ricastin perguntou:
- Tens a certeza que é por aqui? E já agora como é que se chama esse dito bar?
- Tenho, pelas indicações que me deram era por aqui. Chama-se "Black Night". Já disse foi um dos meus contactos.
- Tu e esses teus contactos... Cada vez confio menos neles, isto claro está, se existirem!
- Ricastin! Por quem me tomas? Não confias no teu amigo? - respondeu Ben fingindo a indignação.
- Por ser teu amigo é que sei... Quem não te conhecer que te compre! Mas falando sério tens a certeza que é por aqui? É que um bar por estas zonas duvido mesmo que venha a ter clientes suficientes para ter lucro. Isto é uma estrada sem movimento e uma zona desabitada!
- Epa eu acho que segui bem as instruções... Devemos estar mesmo a chegar!
- Espero que sim! - disse um dos amigos que até agora tinha estado calado, era primo de Ricastin, da mesma idade dele ligeiramente mais baixo e de cabelo comprido, um dos parceiros de divertimento de Ricastin e Ben, uma pessoa discreta e calma, tirando Ben era o único que também sabia dos sonhos de Ricastin. Chamava-se Drena, era de origem mónaca tal como o primo.
Passados mais cerca de cinco minutos a andar avistaram umas luzes, as quais concluíram ser o dito bar. Era um edifício relativamente pequeno, rés-do-chão, azul escuro, com as letras do nome do bar em itálico sobre a fachada em néon azul também.
O ambiente estava demasiado parado para um bar que acabara de abrir, mas mesmo assim o nosso grupo de amigos decidiu entrar.
Dentro predominavam de novo os tons escuros, a música era um metal gótico, quase satânico, encontrava-se apenas um grupo de cerca de 15 pessoas, que subitamente se calaram ao verem os nossos amigos a entrar. Pareciam pessoas vulgares, se não estivessem juntas dir-se-ia que não teriam sequer nada a ver umas com as outras. O próprio empregado do bar olhou-os com ar desconfiado e continuou a limpar copos. Subitamente Ricastin sentiu uma intensa dor de cabeça. Algo de estranho se passava naquele bar...
sexta-feira, 17 de julho de 2009
Black and White

Em Filosofia ensinam-nos que o Homem é um ser biface, possui uma dimenção racional e uma dimenção animal, ou institiva. Frequentemente associamos a dimenção instintiva às acções menos correctas que realizamos, basicamente associamos o nosso lado negro ao instinto e tanto o fazemos que quando somos confrontados com os nossos erros, já temos a desculpa pré-concebida do "Agi sem pensar!".
É certo que nenhum de nós se pode autoproclamar como sendo um exemplo isento e correcto a ser seguido pela sociedade, todos possuímos o nosso "lado negro" e por muito estranho que possa parecer, grande parte das vezes é realmente a nossa dimenção racional, a dita razão que nos guia no nosso caminho, que nos conduz por esse "lado negro".
Culpam o egoísmo humano pelas nossas "negras acções", contudo se não for individualista, o indivíduo deixa de ser um indivíduo, como podemos constactar na raíz das palavras, logo por natureza um indivíduo já será individualista, o altruísmo, a generosidade e a partilha são factores que vão sendo aquiridos, consoante o meio que nos rodeia e a nossa capacidade de questionar o que nos rodeia. E tal é cada vez mais difícil de se atigir, pois vivemos cada vez mais num mundo submerso de individualidades, que são verdadeiros falsos ídolos, e de um egoísmo único em que já não importa os que virão no futuro, mas o prazer e mero conforto dos que estão agora.
Tudo isto para demonstrar que a maldade do ser humano, não é culpa do seu instinto, mas sim culpa da sua racionalidade que o leva a uma ganância desmedida e a uma ausência de escrúpulos fria.
Pensamos, mas nem sempre pensamos. O pensamento é simultaneamente a razão da nossa bondade e maldade. Contudo a ausência de pensamento torna-nos muito mais vulneráveis, aos que pensam por maldade e proveito próprio, em detrimento do bem-estar dos restantes.
Pensar é um acto perigoso e difícil.
Pensemos de forma isenta.
segunda-feira, 13 de julho de 2009
Guardião Desconhecido - Parte III
Ricastin tinha passado a noite em claro a pensar no seu último sonho, nos anteriores e de onde poderia ele conhecer Le Jo. Encontrava-se com uma enorme dor de cabeça, mas não podia, nem queria faltar às aulas. Lá saiu de casa, a pé, em direcção ao liceu como fazia todos os dias.
Ia caminhando pela rua, com tal dor de cabeça que mal conseguia ter noção do espaço que o rodeava, quando ao atravessar a rua apenas ouve um grito, "CUIDADO!", mal tendo tempo para se atirar para o chão e desviar-se de um carro que vinha a alta velocidade pela rua.
A pessoa que gritou veio a correr na sua direcção:
- Como estás? Magoaste-te?
Era Le Jo. Ao início Ricastin ficou meio atordoado com o sucedido e com a presença de Le Jo ali, ainda por cima tendo-lhe acabado de salvar a vida, que demorou uns segundos a responder o que quer que fosse até que com uma voz desajeitada lá respondeu:
- Obrigado, por me teres avisado. Felizmente foi só o susto. - e sorriu para Le Jo.
- Pareceu mesmo que o carro acelerou quando te viu! Há com cada maluco! Mas estás mesmo bem? - e retribuiu-lhe um sorriso.
Após ouvir as palavras de Le Jo, Ricastin apercebeu-se que se apoderou dele uma sensação estranha quando o carro se aproximou dele. Contudo ignorou, devia ser do sono com que se encontrava.
- Ah! A propósito, eu sou a Le Jo! Já nos conhecemos antes?
- Talvez já me tenhas visto, somos da mesma turma! - respondeu Ricastin, levando o seu pensamento para outro local.
- Deve ser disso...Mas mesmo assim tenho a sensação que já te vi antes...há muito tempo, parece...
- Para quem veio da Finlândia à pouco tempo falas um português perfeito! - disse Ricastin admirado com a claridade e fluidez na voz da rapariga.
- Pois...é que o meu pai é português, só a minha mãe é que é finlandesa. O meu pai recebeu uma proposta de trabalho e decidiu voltar às origens.
- Hum... ok. Eu sou o Ricastin. No meu caso é a minha mãe nasceu no Mónaco e o meu pai também é português, mas desde sempre que me lembro de viver em Portugal.
- Está certo. - disse Le Jo sorrindo - Já agora como é que sabias que era finlandesa?
Ricastin corou. - Um amigo comentou. - respondeu a medo.
- Ok - respondeu Le Jo, continuando a sorrir. - Eu ia para o liceu, podemos ir juntos?
- Claro! Com todo o prazer.
Nessa tarde, após a aula de Português, Ricastin decidiu perguntar ao professor mais uns detalhes sobre a lenda que ele contara na aula passada, contudo este ao ser abordado pelo aluno, teve uma reacção estranha como senão se lembrasse de nada do que tinha contado na aula anterior.
Ricastin saiu da sala com a cabeça num turbilhão. Aquela súbita perda de memória do professor não era normal. A não ser que não tivesse realmente sido o professor que lhes tinha contado a lenda. E ao pensar isto Ricastin lembrou-se do olhar que o professor lhe mandara na altura em que lhes contou a lenda. Desta vez queria voltar a ter outro sonho, no sítio disforme, pois tinha umas questões a colocar.
Contudo nessa noite nada sonhou...
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